“É preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós.“
José Saramago
Em 1882 , Machado de Assis publica o conto “O Alienista” , em que Simão Bacamarte , o alienista , fala de sua iniciativa : “ A loucura , objeto de meus estudos , era até agora uma ilha perdida no oceano da razão ; começo a suspeitar que é um continente.”
Quase 150 anos depois deste sucesso editorial , temos que concordar com o escritor pois observa-se ainda uma prevalência global de transtornos mentais ao longo da vida na faixa de 29% , trazendo como consequência altas taxas de desemprego de pessoas mentalmente afetadas acarretando um problema, importante e urgente , de desigualdade de saúde pública.
Mesmo sabendo que no Brasil estamos , infelizmente , na 3a posição no ranking mundial de doenças mentais , com 11,5 milhões de pessoas com depressão , 19 milhões de pessoas com ansiedade , além da estarrecedora taxa de 30% no aumento de suicídio entre os jovens , ainda enfrentamos o preconceito contra os portadores de doenças mentais , termo mais conhecido como “psicofobia”.
Em nossos atendimentos no consultório tentamos sempre conscientizar os pacientes sobre a necessidade de pensarmos a psiquiatria mais sob caráter preventivo do que , claro , paliativo ou emergencialmente , muito embora existam casos circunscritos para tais demandas.
Qual seria o nosso papel, enquanto sociedade, para combatermos este preconceito e eliminarmos de vez este estigma? Se o pâncreas, a tireóide e demais sistemas orgânicos adoecem por que torna-se tão difícil aceitarmos que nossa mente pode também adoecer? Seria apenas pelo motivo de não conseguirmos “medir” o sofrimento psíquico como se a nossa capacidade de abstração não nos mostrasse que ele de fato existe?
E você , nos conte , como tem cuidado da sua e da nossa saúde mental?
Abraços,
Dr. Daniel Monnerat