Como alguns sabem em 29/11, 6:50h da manhã, tive uma fratura de tornozelo, escorreguei e virei o pé direito e com isso fraturei a fíbula, um osso pequeno que fica na região do tornozelo.
Voltei para casa, atendi on-line e fui para o hospital e segundo meu irmão ortopedista, meu tornozelo estava muito inchado e deveria fazer radiografia. Dito e feito, a plantonista diz: “Você precisará de cirurgia, já conversei com o ortopedista, ele virá ao hospital a partir de 14h”. Entrei em um modo que alguns de vocês dizem e comecei a chorar como criança. Eu tinha que tomar uma decisão: operar aqui ou em SP. Eu estava sozinha e somente eu poderia decidir. Alguns minutos depois, uma pessoa na sala de espera me acalma. Eu tento me acalmar. Eu, Psiquiatra, assim?
Sim, também somos pessoas que sofremos, ficamos em dúvida, nos estressamos. A vida me fez parar por 60 dias, sem estar no consultório, dependendo de outras pessoas para ajudar, além de Daniel, meu principal suporte nesse tempo.
Quando a vida te faz parar o que você faz?
Eu tentei trabalhar um pouco, refleti, tive de pedir ajuda, fiquei um muita saudade de tomar banho em pé (muito feliz quando consegui), tomamos a decisão de nos casar, fiz fisioterapia, exercícios, peguei mais um gatinho, e agora mudança.
Agora já voltei ao presencial. Até que fiz muita coisa nesse período. Mas voltei não querendo correr tanto. Tentando me organizar e ser uma pessoa melhor.
E você? Se acontece algo inesperado contigo, como você lida?
Desesperar-se, ficar chateado, reencontrar-se, conseguir dar um significado para o momento?
Se eu pudesse te dar uma dica, leitor: aquele velho clichê mas que é real, tente viver um dia de cada vez. Pois nessas situações cada dia é de fato um novo dia e pequenas coisas como tomar um banho em pé podem fazer muita diferença.
Obrigada por entenderem esse período, pacientes, família, amigos. Recebi muito carinho de vocês.
Um abraço forte,
Drª Flávia Freitas