Maternidade de verdade começa na liberdade de escolha

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Olá,

Quantas vezes você já ouviu frases como “Quando vem o bebê?”, “Você vai mudar de ideia” ou “Mas quem vai cuidar de você na velhice?” A maternidade, por muito tempo tratada como destino natural da mulher, hoje é tema de profundas reflexões na saúde mental. Ser mãe é uma escolha que deveria vir do desejo, nunca da obrigação. Mas será que a sociedade nos permite enxergar assim?

A sensação de que a maternidade é uma obrigação pode vir de várias fontes: família e cultura, com expectativas implícitas ou explícitas sobre o papel feminino; religião e tradição, com ideias de que a mulher “realiza-se” apenas como mãe; relacionamentos, onde parceiros pressionam ou condicionam o futuro à gravidez; e o famoso “relógio biológico”, que gera ansiedade pelo medo da infertilidade com a idade. Essa pressão externa pode gerar quadros de ansiedade, depressão e até mesmo a chamada maternidade forçada – quando a mulher tem filhos contra sua vontade, o que impacta negativamente sua saúde mental e a da criança. Por isso, reforçamos: a escolha livre e informada sobre a maternidade é um direito humano e um fator protetivo para a saúde mental.

Mesmo quando a maternidade é desejada, ela pode trazer sofrimento psíquico. A depressão pós-parto, por exemplo, atinge cerca de 15 a 25% das mães. Há também a ansiedade perinatal – medo excessivo com a saúde do bebê, o parto ou a capacidade de cuidar –, a síndrome do esgotamento materno, marcada por exaustão física e emocional devido à sobrecarga (muitas vezes sem rede de apoio), e o luto por si mesma, que é a sensação de falta da própria identidade anterior à maternidade. Se você sente que a maternidade tem sido mais um fardo do que uma escolha, saiba que não há vergonha em pedir ajuda. Agende uma conversa com seu psiquiatra ou psicólogo.

Por outro lado, não ter filhos também é uma decisão legítima, saudável e cada vez mais comum. No entanto, muitas mulheres ainda sofrem com a chamada síndrome da exclusão social – sentir-se deslocada em rodas de amigas que são mães –, com julgamentos familiares e comentários invasivos em almoços, festas e feriados, além da dúvida persistente: “Será que um dia vou me arrepender?” A reflexão que deixamos é simples: se a sua resposta para “quero ser mãe?” não for um SIM convicto, talvez seja um NÃO por enquanto. E tudo bem. O que importa é que a decisão venha de você, não do medo de perder algo imaginário.

Para ajudar você a fortalecer sua decisão, seja qual for, separamos algumas orientações práticas. Se você escolheu ser mãe, construa uma rede de apoio real, cuide da sua saúde mental antes, durante e após a gestação, compartilhe tarefas com o parceiro (se houver) e permita-se sentir ambivalência – é normal. Se você escolheu não ser mãe, pratique respostas firmes e afetuosas para perguntas invasivas, valorize outros projetos de vida (carreira, arte, lazer, afetos), busque amizades com mulheres que também não têm filhos e reavalie anualmente se essa ainda é a melhor escolha para você.

É importante saber quando buscar ajuda profissional. Agende uma consulta conosco se você apresenta pensamentos recorrentes de que não será uma boa mãe (caso deseje ser), tristeza profunda ao ver gestações alheias (se não puder ou não quiser ter filhos), conflitos intensos com familiares por causa da decisão sobre a maternidade ou o sentimento de que está vivendo a vida dos outros, não a sua.

Maternidade real não é obrigação. É desejo, preparo, rede de apoio e saúde mental. Nenhuma mulher deveria ser mãe por pressão. Nenhuma mulher deveria ser julgada por não querer ser. Na nossa clínica, você tem um espaço seguro para falar sobre isso – sem rótulos, sem culpa, com sigilo e respeito.

Como próximos passos, você pode agendar uma conversa com nosso time, indicar este e-mail para uma amiga que também vive essa dúvida ou simplesmente responder esta mensagem contando como tem sido sua relação com o tema da maternidade – queremos ouvir você.

Com cuidado,
Clínica Monnfrei.

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Registro: CRM-RJ 52-127592-5
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Dra. Flávia Freitas, CRM-RJ 5298840-5, Psiquiatra: RQE-RJ 37744